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Apresentação

A inserção das Ciências Sociais e Humanas no campo da saúde e a emergência do projeto da saúde coletiva tiveram um percurso já examinado por vários autores, permitindo que se reconstitua uma trajetória a um só tempo epistemológica e política. Embora em outros países, particularmente nos EUA, o referencial das Ciências Sociais estivesse atuante no campo da saúde desde os anos 1930, na América Latina ele só começa a ser incorporado por volta dos anos 1960, consolidando-se, ao longo dos anos 1970, no ensino, na pesquisa e nos serviços de saúde .

A constituição do campo da Saúde Coletiva, que se demarca neste período como campo específico de saberes e práticas, representa uma tentativa de ruptura com o paradigma biomédico então hegemônico, incorporando as Ciências Sociais ao estudo do processo saúde-doença. Este paradigma, marcado por suas concepções bio-mecânicas e dicotômicas sobre o corpo e a saúde, e que vinha historicamente orientando de forma quase exclusiva a produção de conhecimentos e as práticas em saúde nas sociedades ocidentais, passa a ser interrogado a partir de novos referenciais. Assim, o corpo biológico passa a ser também corpo social. [1]

Evidentemente que este processo não se deu de forma neutra e desinteressada, como advogam os defensores de uma evolução natural dos saberes e práticas. Ao contrário, a incorporação dos referenciais das Ciências Sociais e das Ciências Humanas, estas últimas mais recentemente, decorreu de uma práxis complexa ancorada no reconhecimento de que o processo saúde-doença, para além de um fenômeno objetivo e mensurável, envolve um complexo e intangível mundo social que, para ser desvelado precisa ser abordado tanto em suas dimensões macro-estruturais – econômicas, políticas e jurídicas – quanto nas micro-estruturais, o que implica no reconhecimento da subjetividade e da vida cotidiana para a análise e compreensão do referido processo.

Segundo Nunes [2], na América Latina, o conturbado período histórico dos anos 1960 e 1970 explicita as estreitas relações entre o contexto sócio-político, o contexto sanitário e a produção científica, fortalecendo-se a tese de que o contexto social mais amplo explica melhor a situação de saúde que fenômenos biológicos naturalizados e descontextualizados.

Nos anos 1980, os temas predominantes, refletindo os anseios e lutas pela re-democratização que marcaram o período histórico na região, centraram-se na análise da Previdência Social e das políticas de saúde. Essas análises subsidiariam o movimento da Reforma Sanitária, que envolveu atores populares, profissionais e acadêmicos na luta pelo direito à saúde e lançou a proposta de um sistema de saúde público, universal e de boa qualidade que viria a se consubstanciar, posteriormente, no Sistema Único de Saúde.

Nos anos 1990, consolida-se uma vertente de cunho sócio-antropológico que enriquece o campo através de temas diversos e afeitos às dimensões micro-estruturais da vida social, tais como as representações sociais de saúde-doença, as racionalidades médicas alternativas, os aspectos simbólicos e culturais das práticas em saúde, subjetividades e territorialidade, gênero, sexualidade e saúde reprodutiva, o enfoque qualitativo da pesquisa social, o corpo e seus significados, entre outros.

Embora não tendo esgotado suas potencialidades, e já adentrando um novo século e milênio, podemos afirmar, com convicção, que as Ciências Sociais e Humanas em Saúde estão plenamente consoantes com as exigências dos novos paradigmas do conhecimento que apontam para a complexidade da vida humana e que têm a interdisciplinaridade como caminho para sua compreensão. Consoante o percurso brevemente assinalado, a área de Ciências Humanas do IESC é representativa dessa multiplicidade de saberes, o que se expressa nos diferentes campos disciplinares que conformam suas linhas e projetos de investigação - e as práticas de ensino correlatas.

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[1] Minayo, M.C. de S. O Desafio do Conhecimento. Pesquisa Qualitativa em Saúde . São Paulo/Rio de Janeiro: HUCITEC/ABRASCO, 1992

[2] Nunes, E.D. Ciências Sociais em Saúde: um panorama geral. In: O Clássico e o Novo: tendências, objetos e abordagens em ciências sociais e saúde. Goldenberg, P., Marsiglia, R.M.G. e Gomes, M. H. de A. (orgs). Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2003


Projetos

• Estudos Qualitativos em Saúde

• Gênero, Sexualidade e Saúde Reprodutiva

• Imagem Corporal, Ideais de Beleza e Comportamentos Alimentares: combinando as aborda-gens qualitativa e quantitativa

• Jovens, Saúde e Vida Cotidiana: uma proposta de pesquisa-ação

• Mulheres, Reprodução e AIDS: as tramas da ideologia na assistência à saúde de gestantes HIV+

Laboratório de Gênero e Saúde
A gente da vila pela vida: Projeto de prevenção das DST / Aids entre as mulheres da Vila do João-Maré

Laboratório de Gênero e Saúde - IESC - Núcleo de Gênero e Saúde – ENSP/Fiocruz
Projeto Homens, Saúde e vida cotidiana
Apoio: Fundação Ford e Fundação MacArthur

Laboratório de Gênero e Saúde - IESC - Núcleo de Gênero e Saúde – ENSP/Fiocruz
Projeto Jovens, Saúde e Vida Cotidiana
festa de encerramento dos grupos Jovens da Maré
Apoio: Fundação Ford

Equipe

  André Martins
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  Arthur Arruda Leal Ferreira
  Diana Maul de Carvalho
  Elaine Brandão
  Jorge Luiz Prata de Souza
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